Foco na competitividade – SINDVEST
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Foco na competitividade



Confira a matéria de capa publicada na edição de abril da Carta da Indústria.

Já imaginou como um selo de qualidade pode ser o diferencial para valorizar um setor? O segmento de águas minerais do Rio de Janeiro percebeu essa oportunidade e agora está desenvolvendo um selo próprio. Com isso, 24 empresas esperam melhorar seu posicionamento no mercado, para que o consumidor não compre seus produtos apenas devido ao melhor preço, mas também pelo reconhecimento de sua qualidade.

A ideia está sendo desenvolvida no âmbito do Programa de Apoio à Competitividade das Micro e Pequenas Indústrias (Procompi), por meio de dois projetos: o da certificação propriamente dita, com consultoria de qualificação para implementação do processo de adequação e obtenção do selo; e na elaboração de um plano de comunicação para divulgar a iniciativa quando for lançada.

A fase atual é a de auditoria pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), certificadora escolhida, que está visitando as empresas, identificando melhorias necessárias e concedendo os certificados às que atenderem 100% dos procedimentos específicos previstos. Já são quatro empresas certificadas. “A expectativa é que ainda no primeiro semestre grande parte das companhias já esteja certificada”, informa Marcelo Pacheco, diretor de Planejamento e Marketing da L’Aqua e membro do Comitê Gestor do Procompi.

Pacheco explica também que a segunda fase, a de divulgação, é essencial: “Isso porque não adianta ter a empresa adequada às normas se o consumidor não tiver percepção da qualidade e dos benefícios que ele terá se comprar o produto”. O selo, que contará com um Comitê Gestor para acompanhamento das certificações, e o plano de comunicação foram definidos oficialmente em 25/03. Será criada uma figura jurídica, formada pelas empresas participantes, detentora da marca. Ela fará a gestão e o monitoramento da manutenção dos procedimentos obrigatórios, com o principal objetivo de assegurar a manutenção da qualidade diferenciada proposta.

O sucesso do case do segmento de água mineral é apenas um dos projetos operados pela Firjan, aprovados no ciclo 2016-2020 do Procompi. A federação conseguiu aprovação de 10 ações nas três chamadas, até o momento, tornando o Rio um dos estados com mais ideias aprovadas. Os projetos do Programa são estruturados pela Firjan, a partir de demandas dos empresários, apontadas em reuniões estratégicas, que são feitas regularmente. Assim, com os recursos disponibilizados, está sendo possível atender às necessidades industriais fluminenses. Daí a importância de o empresário estar perto da federação.

Empresas conectadas

Além do número surpreendente, a Firjan conseguiu ainda unir dois setores em uma única iniciativa. A ideia consistiu em conectar as empresas do segmento de Moda Íntima de Nova Friburgo com as de Joias e Bijuterias da cidade do Rio. Em duplas, elas desenvolveram coleções de alto valor agregado misturando as duas peças.

Com 25 empresas participantes, o projeto contou com capacitações em gestão da produtividade e possibilitou acesso a novos mercados. Os produtos criados participaram de duas das mais importantes feiras de moda no estado, a Fevest e a Veste Rio 2018, com desfile e estande para comercialização.

Marcelo Porto, presidente do Sindicato das Indústrias do Vestuário de Nova Friburgo (Sindvest), conta que unir esses dois setores – industrialmente distintos, mas com vendas impulsionadas pela paixão – era um sonho, finalmente viabilizado pelo Procompi. “O projeto intersetorial abre oportunidade de aprender com outros segmentos e de entender que nossos concorrentes, muitas vezes, são nossos maiores parceiros e uma forma de ampliar o público-alvo de todos nós”, avalia.

Porto destaca o papel da Firjan, tanto de “agregadora” para a convergência entre os setores como pelo apoio técnico. “O sindicato é o ambiente que propicia esses encontros, e a união de empresas dos dois setores e regiões distintas foi viabilizada pela Firjan. Essa oportunidade atraiu novos associados; foi um projeto que fortaleceu o associativismo”, ressalta.

Leo Rodrigues, proprietário da marca Lia Lou, participou do projeto junto com a empresa Márcia Mór Joias. “As minhas lingeries são produzidas em escala de centenas, enquanto, na joalheria, as peças são trabalhadas por unidade. Logo, tivemos que fazer adaptações”, afirma.

Também à frente de um dos setores contemplados, Fernando Coutinho Aguiar, presidente do Sindicato da Indústria de Móveis (SindMóveis) de Campos, que abrange as regiões Norte e Noroeste do estado, diz que o Procompi permitirá que empresas de pequeno e médio portes adquiram conhecimentos sobre a metodologia Lean (gestão enxuta). “O próximo passo será ampliar essa oportunidade para mais empresas do interior”, vislumbra ele.

Oportunidades únicas

Em estágio mais avançado, existe também o projeto de capacitação para internacionalização de micro e pequenas indústrias fluminenses do setor audiovisual. A iniciativa já possibilitou a comercialização para o exterior de um trabalho de uma produtora e o desenvolvimento de um e-book. “É uma oportunidade única para os profissionais dessa indústria se capacitarem, ainda mais porque ela visa o longo prazo, permitindo que eles possam aplicar essas habilidades em projetos futuros”, conclui Leonardo Edde, presidente do Sindicato Interestadual da Indústria Audiovisual (Sicav).

O segmento de concreto, do setor de Construção Civil, também tem seu próprio projeto com consultoria. O objetivo passa por impulsionar a competitividade das micro e pequenas indústrias instaladas nas Regiões Metropolitana, Serrana e Sul Fluminense, por meio de ações que promovam a otimização de processos e/ou produtos e maior controle da produção. Participam, ao todo, 20 empresas.

“Ainda estamos em fase bem inicial. Nosso consultor está visitando as fábricas para montar o diagnóstico de cada uma. A expectativa é que a ação agregue ainda mais valor ao nosso produto e que tenhamos modelos de negócio mais sustentáveis”, ressalta Rodolfo Barros, proprietário da Pronto Laje, de São Gonçalo.

A Panificação também encontrou na iniciativa oportunidade de diminuir seus gargalos. De acordo com Fernanda Hipólito, presidente do Rio+Pão, o setor vem atravessando um momento de recuperação. “Por isso, precisamos de novos conhecimentos para inovarmos e nos reinventarmos”, observa ela, que também é proprietária da Panificação Flor da Tijuca.

O projeto piloto, iniciado em janeiro, contempla 15 padarias associadas ao Rio+Pão e consiste em uma consultoria com profissional renomado do mercado, com duração de sete meses. O objetivo é identificar gargalos de gestão e brechas para a inovação. Fernanda acredita que ainda em 2019 haverá grande revitalização do setor, com mais competitividade da cadeia de valor do segmento e consequente aumento de produtividade e volume de negócios e redução do desperdício.

Fonte: Firjan

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